Chego assim à segunda semente; as palavras constroem mundos, mas é o silêncio que os sustém.Passei muito tempo a acreditar que era nas palavras que tudo acontecia, que dizer era existir, que nomear era possuir, que aquilo que não fosse articulado se perderia. E é verdade que as palavras constroem: ergui relações inteiras com frases e derrubei-as também com elas. Mas reparei, com a idade, que as palavras que mais me sustentam não são as que digo. São as que fico a guardar. O amor mais fundo que conheço quase nunca precisou de ser dito em voz alta; vivia no espaço entre as conversas, na pausa antes da resposta, na presença que não exige justificação.O silêncio não é a ausência de palavra. É o chão onde a palavra assenta. Uma casa não se faz só de paredes, faz-se sobretudo do vazio que as paredes abraçam, do ar que se respira lá dentro. Da mesma forma, a Palavra Perdida não se reencontra à força de falar mais. Reencontra-se quando se faz silêncio suficiente para a ouvir murmurar por ...
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